segunda-feira, julho 27, 2015


#Cotidiano: de ontem em diante

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O ontem é - de vez em quando - uma lembrança doce que eu curto provar. Não é viver de passado: é saber apreciar os momentos bons que ficaram ali, entre a realidade e a sensação do que restou (desse fragmento real). É quase o gosto de um sonho de padaria amanhecido.

Na maioria das vezes, no entanto, o ontem se revela como um lembrete das promessas, dos pedidos e das teorias que (nós mesmos) nos colocamos.

'Amanhã vou ser diferente'. 
'Amanhã cuidarei daquilo'. 
'Amanhã eu resolvo tudo'.

Mas e quando passa o amanhã? Fica o ontem - que não é dívida - é um convite sutil para melhorarmos aqueles pontos. As pendências do ontem continuam a martelar até que elas se cumpram. Aí - nesse desprendimento do que ficou - é que surgem os momentos mais doces: quando o ontem não sugere coisa alguma, a não ser a conquista de nossa melhor versão (e das listas diárias que nos dispomos a realizar).

O meu ontem é - de vez em quando - bem doce.

@blogjustcarol

O seu passado tem sido doce, ou tem martelado alguma promessa que ficou para trás?

#Cotidiano é uma coluna sobre descobertas e miscelânea; é o baú de casa: lugar onde se guarda ideias e lembranças. Obrigatoriamente composto por textos curtos e um click do instagram. Um fragmento do dia {e do coração} para ler e pensar.

segunda-feira, julho 20, 2015


Dia do Amigo // aos marinheiros e capitães

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ainda que sozinha, sempre perto
ainda que longe, sempre junto
ainda que triste, sempre ancorada

20 de julho 
Dia do amigo // Dia Internacional da Amizade

Vamos combinar assim: talvez a gente não consiga, hoje, comemorar do jeito que gostaríamos. Passaram-se anos até que eu conseguisse olhar por esse ângulo (o de conseguir não fazer as coisas na hora em que as pessoas acham apropriado). 'Mas tá todo mundo fazendo!'. Como é que a gente pode competir contra a maré? Andei me acostumando, e você sabe (e me entende também, eu espero). 

Tá difícil segurar esse barco. Olhando assim, o horizonte, a calmaria do azul me faz sentir o equilíbrio que há muito tenho buscado. Mas é que às vezes sou fraca. Não consigo me manter sã o trajeto todo: o vento forte me cerca. E não sei se consigo continuar.


Já pensou se parássemos aqui? Acho que você teria um pouco de medo -- do desconhecido -- e pensaria em continuar sem rumo, ainda que me deixasse. E se eu insistisse em lançar a âncora aqui mesmo, no meio do caminho? 

Se estiver difícil continuar, e eu não conseguir esperar o ancoradouro, podemos parar bem aqui onde estamos? É seguro o bastante para você? Eu seria segura o bastante para você vencer seus suas incertezas?

Talvez não (e eu entendo. Entendo mesmo. Antes eu não entendia). Algumas coisas não cabem a mim decidir. Somos dois. E se você quisesse seguir viagem -- ainda que num bote salva vidas, teríamos de nos separar bem aqui, onde estamos, porque eu não conseguiria continuar. Ultrapassamos meu ritmo. Talvez não o seu.

Você está comigo, eu sei, mesmo eu tendo passado por algumas ondas sozinha. Nós já fizemos isso antes (isso de nos separar)A solidão nunca foi meu problema. Você sabe, né? Eu posso seguir daqui pra frente -- e acho que você também -- e a gente se encontra na próxima ilha.

Não acho que iremos (de fato) nos separar, porque estamos habituados a seguir nossos caminhos, ainda que o mapa aponte direções diferentes. E talvez hoje não possamos comemorar do jeito que gostaríamos -- juntos, felizes, pacíficos. Talvez estejamos turbulentos demais, procurando a ilha, o norte e o rumo. 
Mas estamos ancorados. 
Sempre ancorados (em nós).


Dedicatória
•••

aos marinheiros e capitães:
aos meus amigos que estão perto
longe
em outros mundos, ilhas, marés,
sintonias
estão nas minhas orações baixinhas

me guiam em tempestades
me guiam pelas estrelas
me guiam enquanto tentam guiar-se 

me deixam escolher meu destino
me deixam seguir viagem
me deixam tomar a direção
mas nunca me deixam

meu obrigada.

Nota sobre a amizade
•••

A vida tratou de colocar cada um em seu devido lugar, direcionando os ventos às escolhas que felizmente fizemos (a carreira e as paixões) e às tribulações que infelizmente encontramos (as lutas diárias contra a maré). Tivemos de abandorar o plano inicial, traçar outro caminho no mapa e enfrentar algumas tempestades (às vezes sozinhos). Mas como 'homem nenhum é uma ilha', sempre voltamos. Voltamos porque conhecemos os nossos pesos, e ainda assim conseguimos aliviar os dos nossos pares. Somos capitães de nós mesmos e deles: dos amigos que nos guiam pelos mares. Que reconhecem nossas conquistas. Que esperam, na próxima ilha, o momento de nos encontrar novamente e celebrar, do jeito que gostaríamos, todos os ventos favoráveis que nos trouxe até lá: o momento de estarmos juntos mais uma vez.


sábado, julho 18, 2015


#Cotidiano: os tempos da margarida se foram

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Não seria um fracasso ir à falência, 
ser humilhado, 
exposto ao ridículo, 
acabar na forca; 
o fracasso era não ser coisa alguma. 
(Henry James, A fera na selva)

De repente, quando já não temos muito tempo de olhar a paisagem através da janela, notamos que a vida tratou de mudar -- gradativamente -- a nossa vista. Ela não perguntou: foi tirando umas margaridas por conta própria, pondo espinhos no lugar. 

Mas logo eu, que sempre enxerguei o 'mar de rosas' ainda que aos olhos alheios pareciam apenas pétalas murchas?

Nunca quis ser espinho. Ou tampouco enxergá-los.

Mas algumas fases são assim - nosso jardim vira deserto. Erramos ao continuar regando demais as nossas flores, ou também ao afastar nosso cactos de qualquer água. 

A mudança que a vida propõe, acredito, é ter a humildade e (principalmente) a coragem de reconhecer o que realmente precisa ser feito. A dose da água, da preocupação, do cuidado e de tudo o mais que o nosso jardim (que às vezes é deserto) nos pede.

Você tem sido flor ou espinho? Tem encontrado deserto ou jardim em seu caminho?

#Cotidiano é uma coluna sobre descobertas e miscelânea; é o baú de casa: lugar onde se guarda ideias e lembranças. Obrigatoriamente composto por textos curtos e um click do instagram. Um fragmento do dia {e do coração} para ler e pensar.

sábado, julho 11, 2015


Sutileza, moda que vai e volta e Versace

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O movimento hippie esteve cercado de detalhes sutis (como bordados, recortes e cristais), marcando espaço entre a delicadeza e a sensualidade dos modelos femininos apresentados pela estilista italiana Donatella Versace, em sua coleção outono/ inverno 2016, na abertura do Paris Fashion Week no último domingo (5).
A renovação da moda, sabemos, está ligada à adaptação do tempo e dos costumes. A criação é esse poder imenso de (conseguir) interpretar as sutilezas das épocas, que sugerem tendências e mais tarde transformam-se em hábitos de consumo, peças e 'must-haves'. Contrariando a ideia de que as coroas de flores estariam esquecidas num passado não tão longe assim, a estilista resgatou o acessório, que é símbolo hippie, em versão cuidadosamente trabalhada com cristais.
Quanto aos vestidos, em seda, renda e chiffon, destacou-se muito tecido trançado, desfiado e com recordes diversos (e desiguais).O resultado foi a leveza e fluidez. O chic descontraído, fora de modelos estruturados ou simetricamente perfeitos.

•••

E no dia a dia?
As adaptações do estilo hippie, boho chic e anos 60 para o dia a dia vêm das peças clássicas que 'cultivamos' em qualquer época do ano: jeans, botas (sem salto), estampas coloridas e tricô. Uma lista com essas peças clássicas, somadas às tendências das franjas e dos kimonos, compõem boas opções que resgatam o visual da época.

Vocês acompanharam o Paris Fashion Week? Curtem peças que compõem o estilo boho?

Não entendo quem cultua o passado. A vida, agora, é bem mais divertida e o futuro será ainda melhor. (Donatella Versace)


quarta-feira, julho 08, 2015


Carta aberta a você, que está longe

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Você,


(que está longe; que chegou agora a pouco; que veio, me abraçou, mas já voltou pra lá; ou que está prestes a voltar; que está pra lá desejando estar aqui apesar de ter a vida toda sonhado estar aí; que está longe há pouco tempo, mas já faz falta; que não vem há um tempão; que conta os dias para vir)

Eu poderia resumir (quase) tudo em: é a vida seguindo o seu rumo. Mas seria um tanto blasé da minha parte, confesso, e superficial falar assim com você. Quem gosta de superficialidades quando dá para complicar? Eu adoro complicar.

Então vamos, porque assim tá fácil demais.

‘A vida seguindo o seu rumo’ me faz pensar em uma desculpa triste para trivialidades, tragédias e alegrias diárias: uma gravidez desejada, um casamento desfeito, uma morte inesperada, uma promoção no emprego, um talento descoberto. Quase tudo.
Por que você está aí? E eu aqui?

Eu tenho pensado bastante nisso, apesar de não falar. É que eu sou assim mesmo, na minha, distraída, um pouco confusa e quieta sempre que não há nada (no mínimo esclarecido, inteligente e relevante ou, ainda, sincero) a ser dito. É nessas horas -- tentando encontrar as palavras certas e os sentimentos moderados, para não correr o risco de exagerar -- que eu brinco com nosso silêncio quando lembro que você está aí, longe.

Eu tenho vontade de falar muitas coisas que ficam presas na minha cabeça, e mais tarde desintegram-se pela atmosfera do dia a dia que desliza tudo goela abaixo: os pensamentos fogem, sufocados pela rotina dos acontecimentos. E eu esqueço de dizer, porque esqueço mesmo. Sou distraída.
Que saudade.

A verdade é que no mínimo você faz uma (boa) falta aqui, no meu dia. Quando você se foi, muita gente (incluindo eu mesma) te disse: não foge dessa oportunidade! Agarra! E não é que você ouviu? Aí está. Eu não diria menos, você me conhece. E o que eu realmente queria dizer, se não disse, é que não existe pessoa melhor para estar aí, bem no seu lugar, onde você está. Ninguém melhor que você mesma (o), sabe?

Eu sei como é.

É que eu já estive aí, do outro lado, longe, vivendo aparentemente ‘uma vida cor de rosa e purpurinada’ para os outros, enquanto enfrentava conflitos internos, sustos alheios e experiências ruins por lá. No meio de um monte de coisa boa, é verdade, mas ainda assim, ruim. Sem ter para onde correr, fugir ou esconder quando a vontade batesse. Sem ter para quem chorar quando eu queria um consolo verdadeiro (ou uma ilusão confortável).

Mas posso voltar ao início, e ser um pouco blasé? (Detesto ser
blasé, mas é necessário).

Aguenta mais um pouco. Eu seguro as pontas aqui. Você tem vontade de sumir, às vezes, é normal. Eu também tive (e teria em toda a parte do globo). Mas os seus dias cinzas, tensos, frios, escuros (ou sei lá como você prefere chamar) estão prestes a passar, porque eu deposito todas as forças em você. Aquele ‘impulso vital’ - a fé, o amor, a busca, o desafio (o que te move?) - não pode sair da rota (ou da área de visão). Eu sei, porque já tive vontade de desistir.


Eu torço por você. E tenho muita fé, sabia? Tenho mesmo.

Pare um segundo e pense comigo: nada pode ser mais inabalável do que a sua vontade de alcançar aquela luzinha teimosa (que, imaginamos, pode ser o que você quiser). Mas a fé, o amor, a busca e o desafio têm que sair da mala. Vai por mim.

Desculpa não falar com muita frequência: eu sinto a sua falta.

Sinceramente,

Com todo meu amor


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